08 fevereiro 2026

Uma abordagem holorrealista da dinâmica psíquica humana - Meu Psicológico


A seção Meu Psicológico, no blog A Holorrealidade, não se propõe a apresentar um relato autobiográfico intimista nem uma confissão subjetiva. Trata-se, antes, da exposição de uma estrutura psicológica construída a partir da observação sistemática da experiência humana, filtrada por uma visão holorrealista da realidade. O que está em jogo aqui não é o “eu” enquanto identidade pessoal, mas o funcionamento do psiquismo enquanto sistema dinâmico, aplicável tanto ao indivíduo quanto, em escala ampliada, aos grupos e às culturas.

Essa psicologia nasce da necessidade de superar modelos reducionistas, que fragmentam o ser humano em compartimentos estanques (razão versus emoção, instinto versus cultura, indivíduo versus sociedade). Em vez disso, propõe uma leitura integrada do comportamento humano, organizada em três estados psicológicos fundamentais, que coexistem, se alternam e se tensionam continuamente.

A Psicologia dos Três Estados

A Psicologia Holorrealista dos Três Estados descreve o psiquismo humano a partir de três funções psicológicas básicas:

1. Estado Preservador

2. Estado Desenvolvedor

3. Estado Sustentador / Contextualizador

Esses estados não são tipos fixos de personalidade, tampouco rótulos morais. Eles representam modos de funcionamento psicológico, ativados conforme as condições internas e externas do indivíduo.

1. O Estado Preservador

O Estado Preservador é a base psicológica da continuidade. Ele está relacionado à autoproteção, à manutenção da identidade, à defesa de valores, hábitos, vínculos e estruturas já estabelecidas.

No plano psicológico, manifesta-se como:

busca por estabilidade; resistência a mudanças abruptas; apego a referências conhecidas; defesa do que garante segurança psíquica.

Esse estado é frequentemente mal interpretado como conservadorismo psicológico ou medo irracional da mudança. No entanto, sob uma leitura holorrealista, o Preservador é funcional e necessário: sem ele, o indivíduo se dissolve em instabilidade permanente, incapaz de sustentar coerência interna.

O problema surge quando o Estado Preservador se torna hipertrofiado, bloqueando qualquer possibilidade de adaptação ou crescimento.

2. O Estado Desenvolvedor

O Estado Desenvolvedor representa a força psicológica da expansão, da inovação e da transformação. É o estado que impulsiona o indivíduo a explorar, criar, romper limites e projetar novas possibilidades de si e do mundo.

Ele se manifesta por:

curiosidade intelectual; impulso criativo; desejo de superação; abertura ao novo; questionamento de estruturas estabelecidas.

Psicologicamente, é o estado associado ao progresso pessoal, à aprendizagem e à reinvenção. Contudo, isolado ou excessivo, pode gerar:

instabilidade crônica; ruptura de vínculos essenciais; dispersão identitária; desprezo pela experiência acumulada.

No Holorrealismo, o Desenvolvedor não é visto como superior ao Preservador, mas como complementar.

3. O Estado Sustentador / Contextualizador

O Estado Sustentador, também chamado de Contextualizador, é o eixo de equilíbrio entre preservação e desenvolvimento. Sua função é avaliar o contexto, regular excessos e integrar tensões.

Ele atua como:

mediador psicológico;

regulador de impulsos contraditórios;

organizador de prioridades;

intérprete das circunstâncias históricas, sociais e pessoais.

É nesse estado que o indivíduo consegue discernir:

quando preservar, quando transformar, quando suspender ações, quando adaptar-se ao contexto sem perder o eixo interno.

Sob a perspectiva holorrealista, o Sustentador é o estado mais sofisticado, pois exige consciência, leitura contextual e maturidade psicológica. Ele não elimina conflitos — ele os administra.

Dinâmica e alternância dos estados

Um dos pontos centrais desta psicologia é que os três estados coexistem em todos os indivíduos. Não há sujeitos “preservadores”, “desenvolvedores” ou “sustentadores” em essência. O que existe é:

predominância temporária,

desequilíbrio funcional,

ou integração dinâmica.

A saúde psicológica não está na eliminação de um estado, mas na capacidade de transitar conscientemente entre eles, conforme a realidade exige.

Essa visão rompe com modelos normativos que tentam enquadrar o sujeito em perfis fixos, tipologias fechadas ou diagnósticos identitários rígidos.

Aplicações práticas

A Psicologia dos Três Estados pode ser aplicada a múltiplos níveis:

Autoconhecimento: identificar qual estado domina determinadas decisões ou reações.

Criação artística: compreender o conflito entre repetição estilística, inovação e coerência estética.

Relações humanas: reconhecer choques psicológicos entre indivíduos em estados distintos.

Processos sociais e culturais: analisar tensões entre tradição, progresso e adaptação contextual.

No próprio projeto A Holorrealidade, essa psicologia funciona como estrutura subterrânea: ela orienta a produção artística, a reflexão filosófica e a crítica cultural, sem se impor como dogma.

Considerações finais

A Psicologia Holorrealista dos Três Estados não pretende substituir escolas clássicas da psicologia, nem competir com abordagens clínicas consolidadas. Seu objetivo é outro: oferecer uma chave interpretativa clara, funcional e integradora, capaz de dialogar com a complexidade do mundo contemporâneo.

Ela parte de um princípio simples, porém exigente:

"O ser humano não é um conflito a ser resolvido, mas uma tensão a ser sustentada".

É nesse espaço de tensão equilibrada que a holorrealidade se manifesta — não como abstração teórica, mas como experiência concreta de viver, criar e pensar.

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