Esta página apresenta uma descrição estruturada e analítica do meu funcionamento psíquico, entendido como um sistema de processos cognitivos, afetivos e regulatórios articulados entre si. O objetivo é oferecer uma representação descritivo-explicativa do meu modo de organizar, interpretar e responder às experiências internas e externas, com base em princípios funcionais que podem servir de referência para reflexões psicológicas mais amplas.
1. Identidade Psíquica e Continuidade Funcional
A identidade psíquica é conceptualizada como um padrão estável de organização que persiste através de variações contextuais. Em termos funcionais:
“A é A, e pode ser A1, A2, A3…”
Isto descreve a manutenção de um núcleo coerente (A) por meio de variações moduladas por condições internas e ambientais (A1, A2, A3). A identidade funciona como uma estrutura organizadora que preserva coerência narrativa e funcional, mesmo diante de transformações comportamentais ou cognitivas.
2. Consciência como Processo Integrador de Informação
A consciência, neste modelo, é um sistema integrador de dados sensoriais, estados afetivos e representações cognitivas. Ela constrói e atualiza modelos interpretativos da realidade ancorados na interação entre:
Entradas sensoriais (percepção)
Estados internos (afetos, impulsos)
Representações mentais (memória, raciocínio)
Esse processo não é passivo — ele constitui significados, orienta expectativa, e regula a ação em direção a objetivos adaptativos.
3. Psicologia como Campo de Processos Dinâmicos
Embora reconheça abordagens psicológicas distintas (comportamental, cognitiva, psicodinâmica, humanística), este modelo busca sintetizar princípios operacionais, com ênfase na funcionalidade, adaptabilidade e integração dos estados mentais.
4. Estrutura dos Três Estados Psicológicos
O funcionamento psíquico é organizado em três estados fundamentais, cada um com funções distintas, porém interdependentes.
4.1 Estado Preservador
Função principal: manter estabilidade interna, preservar identidade e padrões habituais.
Operações cognitivas típicas:
Detecção de ameaça
Conservação de rotinas
Resistência à mudança abrupta
Exemplo operacional: Um viajante diante de uma mudança inesperada de itinerário pode inicialmente se retrair, focando em retornar às rotinas e planos originais, buscando reduzir incertezas.
4.2 Estado Desenvolvedor
Função principal: promover expansão adaptativa, aprendizagem e reorganização de repertórios.
Operações cognitivas típicas:
Exploração de novas alternativas
Criatividade e solução de problemas
Flexibilidade comportamental
Exemplo operacional: Diante de um desafio profissional, esse estado facilita a formulação de estratégias inovadoras, experimentação de novas habilidades e reformulação de hábitos obsoletos.
4.3 Estado Sustentador/Contextualizador
Função principal: integrar informações internas e externas, modulando a relação entre preservação e desenvolvimento.
Operações cognitivas típicas:
Avaliação de contingências
Ajuste de respostas conforme contexto
Regulação de tensões entre estabilidade e mudança
Exemplo operacional: Ao decidir mudar de carreira, este estado pondera fatores como segurança financeira, impacto relacional e expectativas futuras, coordenando respostas adaptativas e ajustadas ao contexto.
5. Regulação e Adaptabilidade Psicológica
A psicologia funcional saudável manifesta-se por meio da mobilização flexível, proporcional e sincronizada dos três estados, em função das demandas contextuais.
Rigidez no Estado Preservador → resistência à mudança, estagnação
Dominância do Estado Desenvolvedor → impulsividade, dispersão
Sobreativação do Estado Sustentador → indecisão, autoanálise excessiva
O objetivo terapêutico ou de autodesenvolvimento não é eliminar estados, mas equilibrar suas ativações conforme função e contexto.
6. Autonomia e Auto-Observação
A metacognição — capacidade de monitorar e ajustar processos internos — é um elemento chave para a autorregulação eficaz. Isso inclui:
Monitorização de padrões de pensamento
Ajuste de comportamentos com base em feedback
Reconciliação entre intenção e ação
Este componente constitui a base da autonomia psicológica.
Conclusão: Integração Funcional do Eu Psíquico
Esta formulação propõe que a experiência psicológica não pode ser reduzida a estados isolados, mas compreendida como um sistema dinâmico de integração entre estabilidade, mudança e contextualização. O funcionamento eficiente resulta da mobilização coordenada desses três estados, com consciência articuladora e regulação contínua.
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| A minha psicologia. |
Esta página trata da minha visão de mundo no tocante à questão psicológica, mas, apenas no tocante ao meu próprio mundo psicológico, o que acontece dentro da minha própria psiquê para escrever, criar e ser como sou. Não estou afirmando que alguém deva ser assim ou que essa é uma psicologia que deva ser da Ciência. Estou afirmando que é assim que vejo minha pr´pria psicologia interior. O básico é o seguinte:
- Meu princípio de identidade é “A é A e pode ser A1, A2, A3...”
- A consciência reinterpreta a mecânica das inter-relações entre essência e existência e cria os seus processos para o comportamento humano.
Vejamos onde vai dar isso:
Os conceitos mencionados parecem ter relação com filosofia e psicologia, aqui está uma interpretação:
1. "Meu princípio de identidade é 'A é A e pode ser A1, A2, A3...'": Essa frase pode ser uma referência ao Princípio da Identidade, um conceito fundamental na lógica que afirma que "A é A" - ou seja, que uma coisa é sempre a mesma consigo mesma. O acréscimo de "pode ser A1, A2, A3..." sugere uma expansão desse princípio para acomodar a ideia de que uma coisa pode ter várias facetas, estados ou formas. Ou seja, "A" é sempre "A", mas "A" também pode existir de diferentes maneiras ou em diferentes contextos (como "A1", "A2", "A3", etc.).
2. "A consciência reinterpreta a mecânica das interrelações entre essência e existência e cria os seus processos para o comportamento humano": Essa frase sugere uma perspectiva da consciência como uma entidade que modula a interação entre o ser essencial (ou seja, a essência ou a natureza verdadeira e imutável de um ser) e a existência (a realidade material ou física em que esse ser existe). Nesse sentido, a consciência é vista como uma espécie de tradutora ou intérprete que "reinterpreta" as interações entre essência e existência para informar ou guiar o comportamento humano. Em outras palavras, a maneira como percebemos e interpretamos o mundo ao nosso redor - e, por consequência, a maneira como nos comportamos - é influenciada pelas interações complexas entre a nossa essência e a nossa existência, conforme mediadas pela nossa consciência.
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| A consciência reinterpreta a Essência e a Existência |
AS PSICOLOGIAS, EU TAMBÉM
Se perguntarmos a um psicólogo comportamentista qual o objeto da
psicologia ele poderá responder que é o comportamento humano; se
perguntarmos para um psicanalista, a resposta pode ser o inconsciente
humano; outros dirão que é a consciência do homem , além disso, ainda
poderá ter aqueles que o objeto da psicologia é a personalidade. Diante
de tanta dúvida, resolvi ter a minha própria visão de mundo do que possa
ser o objeto da psicologia.
Todos temos o que chamam de psicologia do senso comum. Eu também tenho.
Mas foi pelas contradições do que denominam de psicologia científica que
acabei esquecendo as suas regras para ater-me às minhas, no meu pequeno
mundo de achista assumido que sou. Foi por causa de “opiniões" como a
que se segue que larguei tudo e viajo na minha própria maionese.
Considerando as múltiplas perspectivas em psicologia, a definição do objeto da psicologia se torna um enigma complexo. É preciso reconhecer que a psicologia, como qualquer ciência, é caracterizada pela diversidade de suas abordagens, cada uma com suas próprias lentes e métodos para compreender a condição humana.
Na minha visão, a psicologia, mais do que estudar comportamento, inconsciente, consciência ou personalidade, estuda o ser humano em todas as suas dimensões. Não quero, com isso, desvalorizar as abordagens que priorizam um ou outro aspecto. Pelo contrário, todas são valiosas e contribuem para o entendimento da complexidade humana.
Entretanto, a psicologia do senso comum, que todos possuímos, muitas vezes nos limita a visões reducionistas e simplistas da psicologia como ciência. Porém, o mosaico da psicologia científica é composto de peças de diversas formas, cores e tamanhos, que se complementam e que, juntas, proporcionam uma visão mais completa e precisa da realidade.
Frustrado com as contradições da psicologia científica, resolvi construir minha própria visão de mundo. Afinal, todas as teorias que estudamos são, em última instância, tentativas de compreender o inexplicável, o inatingível, o mistério da existência humana. De certa forma, somos todos "achistas", pois procuramos, através da nossa perspectiva única, dar sentido à complexidade do ser humano.
Ainda que minha perspectiva seja um devaneio, é um devaneio consciente, fruto da minha experiência como ser humano e da minha tentativa de dar sentido ao mundo. Acredito que a psicologia não deve ser reduzida a um único aspecto, mas deve ser entendida como um campo em constante evolução, que busca compreender a totalidade do ser humano, respeitando sua complexidade e diversidade.
Essa crítica, portanto, não é uma negação da psicologia científica, mas sim um convite ao questionamento e à reflexão. Convido a todos a repensarem suas próprias visões de mundo e a perceberem que, talvez, a verdadeira essência da psicologia esteja na sua capacidade de nos ajudar a compreender a nós mesmos, em todas as nossas dimensões e complexidades. E talvez, assim como eu, você também descubra que a verdadeira viagem na maionese é a tentativa incessante de entender o que realmente significa ser humano.





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